VALE DO PATI, DOIS PRAZERES
Dizem por lá que o Vale do Pati são dois prazeres: a natureza e a comida. E é bem verdade!
E depois há aquele sotaque brasileiro doce, os ritmos, a música, as cores e os calores. Ai Bahia, já tô desejando voltar!
Bárbara Baldaia


A natureza regala-nos os olhos enquanto nos embrenhamos numa aventura pela mata atlântica, um bioma de floresta tropical muito rico na sua biodiversidade.
A comida... bem a comida é simplesmente deliciosa. Nas casas dos locais onde ficámos, servem muito bem. É uma oportunidade única de celebrar a gastronomia baiana cozinhada de forma lenta e caseira.
Na região norte do Parque Nacional da Chapada Diamantina, fica o VALE DO PATI, que, em muitos rankings, surge como o 3º melhor melhor trilho do mundo para trekking.
Parece mesmo um castelo, não é? E é assim que se chama: Morro do Castelo.
Fomos escalá-lo de manhã e à tarde, já em casa de Seu Jailson e Dona Marta, assistimos ao pôr-do-sol neste cenário de sonho.
Dona Marta cozinha maravilhosamente bem. Acho que dificilmente me vou esquecer da sua salada de manga com gengibre e do pãozinho de queijo em tamanho grande.
No Pati, vivem atualmente cerca de 60 pessoas, espalhas por 14 casas.
Em todas se come bem, mas Dona Marta capricha!
E nós bem precisávamos, porque aquela subida de manhã até ao cimo do Castelo, ao som do canto poderoso das arapongas, deixou uma fome doida, né?

Se não houvesse mais nada, era a comida... mas havia aquela paisagem incrível, aquela floresta tropical deliciosa e aquela gente que nos recebeu tão bem.

Se não houvesse mais nada, o Pati prendia-nos pela comida. Tapioca com queijo, bolinho de banana, manga dulcíssima, bolo de chocolate caseiro, pãozinho de queijo de minas, sumos naturais, pão caseiro, ovos estrelados, cuscuz, banana frita. O "café da manhã" que nos serviam era sempre riquíssimo.
Comíamos como reis para caminhar como príncipes. E ao fim do dia, chegava a tão aguardada hora da "janta", as sete da tarde. Carne, arroz, feijão, mandioca frita, couve carolu, manga com gengibre, estufado de aboborinha, godó de banana, quiabos. Tudo produtos naturais cozinhados na hora. Verdadeiros banquetes para acabar bem o dia.
"Boa tarde pessoal, o meu nome é Edgar, sou o vosso motorista até Palmeiras. Queria pedir desculpa porque estamos partindo com um atraso grande, mas eu digo semprenque se assim acontece é porque Deus assim quis".
Os brasileiros são profundamente católicos. Já Jeidson, o nosso motorista em Salvador, depois de nos ter deixado na rodoviária, enviou um WhatsApp: "Que Deus proteja a vossa viagem".
E João, o baiano com quem trabalhamos no Pati, sempre que lhe mando uma mensagem para tratar de trabalho e lhe pergunto como está, responde sempre "Estou bem, graças a Deus". Mas o corrector emenda-lhe sempre para "graças Adeus", o que acaba por ter piada. No Brasil, Deus está no comando. Saravá!


VALE DO PATI E BOIPEBA
Bem no coração da Bahia fica a Chapada Diamantina. E bem no coração da Chapada Diamantina fica o Vale do Pati. Chamam à Chapada Diamantina “o paraíso do trekking” e do Vale do Pati dizem que é “um dos trekkings mais bonitos do Brasil”.
Esta é uma região remota, onde moram pouco mais de 10 famílias. São elas que nos vão acolher nas suas casas durante a travessia do Vale do Pati, que se faz em 5 dias. A somar pontos à natureza exuberante do percurso, polvilhado de cachoeiras, está a gastronomia local e o calor dos brasileiros.
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