RUMO AO FIM DO MUNDO

Uma viagem inesquecível pela Patagónia argentina e chilena.

Há lugares que nos puxam como se tivessem um iman secreto. A Patagónia é assim. Sempre foi assim. Sempre esteve lá, no fundo do meu mapa sentimental. Uma terra de extremos, de silêncios cortantes, de vento constante e de beleza bruta.

Bárbara Baldaia

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Ushuaia: na última cidade do mundo

Voar para Ushuaia é como atravessar um livro de aventuras. A paisagem torna-se selvagem, dramática, crua. Ao chegar, sente-se o vento autoritário do canal de Beagle e o cheiro a lenha. É uma mistura curiosa.

Aterramos neste sul profundo vindos de Buenos Aires. Ushuaia, capital da província da Terra do Fogo, é a cidade mais austral do planeta.

Aqui, a natureza impõe-se com rigor. A poucos quilómetros do centro, a Ilha Martillo é o território partilhado por pinguins que por ali nidificam entre outubro e abril. Eles conquistam-no pelo seu ar de meninos bem comportados, enquanto caminham desajeitadamente em direção ao mar. 

Ushuaia, capital da província da Terra do Fogo, é a cidade mais austral do planeta.

Torres del Paine: um colosso de pedra

Do lado chileno, Puerto Natales acolhe-nos com o seu porto ventoso e casas coloridas. A viagem de autocarro desde Ushuaia é longa, mas permite observar a mudança de paisagem, com pampas, montes nevados e guanacos em liberdade.

É daqui que parte a aventura até ao Parque Nacional Torres del Paine, uma das joias da Patagónia. O trekking até à base das Torres sai em busca do anfiteatro natural onde se erguem as três agulhas de granito. Esta é, para mim, uma das montanhas mais bonitas do mundo. Irreverente e assimetricamente perfeita.

A beleza é hipnótica, especialmente quando vemos os seus picos espelhados na lagoa azul turquesa que as abraça.

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O trekking até à base das Torres sai em busca do anfiteatro natural onde se erguem as três agulhas de granito. Esta é, para mim, uma das montanhas mais bonitas do mundo. Irreverente e assimetricamente perfeita.

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Perito Moreno: entre o deslumbramento e o desconforto

Voltámos à Argentina e instalámo-nos em El Calafate. A cidade é acolhedora, com boas lojas, cafés e gelados de calafate, a baga mítica que, segundo a lenda, garante o regresso à Patagónia a quem a provar. Comigo confirmou-se.

É daqui que seguimos para o Perito Moreno, o gigante glaciar em constante movimento, com 30 km de extensão e com picos de 60 metros de altura. De tempos a tempos, grandes blocos de gelo desprendem-se com estrondo e caem nas águas do Lago Argentino. Sempre que um bloco de gelo se solta e cai na água com estrondo, ouvem-se gritos de entusiasmo. Mas este é também o som de algo que estamos a perder. Um lembrete de que os glaciares estão a recuar. E que, mesmo o Perito Moreno (um dos poucos glaciares do mundo considerado “estável”) não está imune ao aquecimento global.

El Chalten, o santuário do trekking

Chegar a El Chaltén é como entrar num refúgio de montanhistas. Aqui, respira-se aventura. 

A 220 km de El Calafate, El Chaltén é a capital argentina do trekking. Pequena e pitoresca, a vila é rodeada de picos dramáticos. O Fitz Roy, com o seu perfil icónico, vigia a cidade.

A cidade vive ao ritmo dos caminhantes: de manhã, mochilas à espera na porta dos hostels; à tarde, botas enlameadas, cervejas artesanais e pratos substanciais nos restaurantes locais. 

Ao jantar, provamos o tradicional “locro” na Cervecería Chaltén, com uma cerveja artesanal escura e intensa.

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DE BUENOS AIRES AO FIM DO MUNDO

Começamos a nossa viagem na capital argentina, de onde partimos em busca do Fim do Mundo.
Em Ushuaia, vamos descobrir os encantos da zona mais austral do planeta.
Subimos depois até Torres del Paine, já no lado chileno da Patagónia.
Continuamos em direção ao estrondoso glaciar Perito Moreno e terminamos na pitoresca cidade de El Chalten, aos pés dos imponentes Fitz Roy e Cerro Torre.

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